quarta-feira, novembro 26, 2008

Agnosticismo

Há que perguntar ao senhor Kant se os objectos que só existem no pensamento não serão, afinal, meras quimeras verbais. Lá porque a palavra infinito tem existência, não quer dizer que o infinito também a tenha (mesmo enquanto mero objecto do pensamento). Ainda por cima, se o mundo exterior corresponde ao mundo interior, é pouco provável que a imanência dos fenómenos se encontre incompleta, incapaz de cumprir cabalmente essa correspondência. E não vale ter saudades de um desconhecido-que-tudo-explique: ele só relevará se se tornar cognoscível.

Por outro lado, há que perguntar ao senhor Wittgenstein se podemos menosprezar um objecto que só existe no pensamento argumentando que ele é uma imprecisão de linguagem. Que diabo: tudo o que existe no mundo tem pelo menos o sentido da sua própria existência. Por que razão a coisa intelectual chamada sentido não terá, ela também, o sentido da sua própria existência? E pressupor que esse conceito existe em nós como uma crueldade tantalizadora, é pressupor que há alguém transcendente capaz de jogos de crueldade. E isso (o desconhecido) não interessa nada.



É mais importante aferir a validade dos objectos que só existem no pensamento do que aferir a validade de deus (que é apenas um desses objectos e, por conseguinte, tem menos relevância quantitativa). Mas o mais provável é que nunca cheguemos a conclusão nenhuma.

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