quarta-feira, outubro 29, 2008

Traduzindo Dylan Thomas

Estou a começar a tradução da obra poética de Dylan Thomas. Até agora, apenas consegui desbravar meio poema! É, de facto, o autor mais desafiante que já traduzi. No entanto, posso já partilhar duas ou três notas sobre o processo:

- A nobreza da dicção thomasiana acaba por invadir o texto na língua de chegada. Ou seja, o poema traduzido parece estar destinado a uma voz tão solene, profunda e musical como a que o autor galês possuía.

- Apesar da obscuridade evidente dos textos, a verdade é que uma leitura feita com bisturi revela a extrema precisão com que eles são construídos (como se fossem pequenas selvas desenhadas por um relojoeiro suíço).

- Tenho tomado algumas decisões bastante polémicas ao longo da tradução. Para tentar ser o mais fiel possível ao espírito do original, e ao mesmo tempo criar um texto válido em português. Cada vez mais se torna evidente para mim que não existem traduções definitivas.

5 comentários:

arthur disse...

me perdoe por não comentar o conteúdo do teu texto, venho mais como um anfitrião que agradece à visita...

um grande abraço!

Carlos Pinto Vinagre disse...

Numa travessia tão complexa que é a tradução, limito-me somente a desejar-lhe um bom trabalho. Dylan Thomas é um magnífico poeta, de uma riqueza fabulosa, sendo de uma língua tão diferente do português, não será nada fácil captar a essência da obra. Bom trabalho

Miguel Drummond de Castro disse...

Pois abra-se uma garrafa com todo o rio lá dentro para comemorar a empresa, e prepare-se uma barrica formato império de um bom vinho do Porto - um Burmester, de 1935? quando estiver a tradução pronta.

No sooner he injected more moonlight in his old dilapidated veins
the day rose like a warm stoned heart in some forgotten part of his soul

pedroludgero disse...

Já estou um pouco arrependido deste "anúncio"... Como tenho pouco tempo livre (e não tenho coragem de, como o M. Tavares, acordar às 5h da manhã), o processo de tradução será longo, moroso. Uns bons anos andarei às voltas do Thomas.

Obrigado pela força.

Miguel Drummond de Castro disse...

Bem, o vinho só pode melhorar com a idade; -)

E acrescento um dos provérbios chineses que mais gosto:

"Os bois são lentos, mas a terra é paciente."