quinta-feira, outubro 09, 2008

Retalhos da vida de um jovem 2

No PÚBLICO de hoje, a Dra. Rita Lobo Xavier, professora de Direito na Universidade Católica do Porto, pronuncia-se contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, manifestando um certo receio pela sobrevivência (??) das sociedades que tomem esse casamento, incapaz de gerar vida do ponto de vista biológico, como um dos seus modelos de contrato relacional.

Quando eu era um jovem retalhado, foi-me imposto um curso de Direito na Universidade Católica do Porto durante cinco penosos e absurdos anos, incapazes de gerar vida do ponto vista intelectual. A Dra. Rita Lobo Xavier foi minha professora (não me perguntem qual foi a disciplina, de tal modo eu passei distraído, e canino, por essa estéril vi(nh)a académica).

Numa das aulas da Dra. Rita a que tive o privilégio de assistir, a eminente professora defendeu (não sei a propósito de quê) que, se um católico não concordasse com todos os mandamentos decretados pela sua Igreja, deveria simplesmente apostatar. Como acontece em todas as aulas de todas as Universidades do mundo, eu segredei qualquer coisa para a colega do lado. A Dra. Rita, qual mestra de catequese, pediu então que eu revelasse à turma o conteúdo do meu mistério e eu, feito crente, resolvi confessar a verdade.

Então eu disse que não concordava com a dita opinião, e que achava que um católico podia manter a sua religiosidade ainda que, movido pela liberdade do seu pensamento, não concordasse com todas as materializações institucionais da fé. Ao que a Dra. Rita me respondeu que isso não era assim (não me disse que essa não era a sua opinião...): todo o cristão, se estivesse na vertigem da heterodoxia, teria forçosamente de apostatar. E eu dizia que não. E ela dizia que sim. E eu dizia que não. E ela dizia que sim. E foi assim o meu momento-clube-dos-poetas-mortos, mas ao contrário.

Este golpe baixo, nada habitual no historial do cabodaboatormenta, serve apenas para eu continuar a conversar com a Dra. Rita (long time, no see), e lhe dizer que nem sequer me digno reflectir sobre a opinião de uma pessoa que por norma aceita as imposições da autoridade sem a menor liberdade de pensamento.

Fim de comunicação.

1 comentário:

paysanxxi disse...

mais nada! pim!