quinta-feira, outubro 16, 2008

Red tape

Numa das escolas (de ensino artístico) onde dou aulas, verifico que há um certo respeito institucional pela figura recentemente criada da auto-avaliação do desempenho dos professores (uma trapalhada de documentos que exige muita disponibilidade temporal).

Perante o meu relatório referente ao ano passado, no qual pedi a nota global máxima porque achei que, naquele período lectivo específico, a tinha merecido, a direcção pedagógica dessa escola (que, de resto, muito admiro e na qual tenho plena confiança) aumentou o nível de uma das secções parcelares da auto-avaliação (de 4 para 5), e baixou-me o nível numa outra secção (de 5 para 4), o que, em termos globais, deixou a nota inalterada. No entanto, o abaixamento daquela nota parcelar foi justificado apenas pelo desleixo com que eu preparei precisamente... o relatório de auto-avaliação (o que é a mais pura das verdades). E em seguida, a figura da dita auto-avaliação foi elogiada enquanto forma da escola conseguir reunir argumentação suficiente e documentada no caso de pretender despedir algum membro do seu corpo docente.

Ora, continuo sem perceber a função de toda esta trapalhada. Na verdade, a minha auto-avaliação pode ser sempre alterada pela comissão que sobre ela se debruçar. Parece-me, assim, lógico que gastaríamos menos papel e menos tempo (time is knowledge) se as direcções das escolas assumissem, directamente, qual a sua própria avaliação do trabalho dos seus funcionários (e repito que, neste caso, eu teria confiança no seu juízo, o que não exclui a eventualidade de discordância e protesto). Repare-se que, se a direcção for desonesta, não vai ser o relatório que vai proteger o trabalhador, na medida em que a sua alteração é sempre possível (e a desonestidade encontra sempre argumentos). E se for honesta e competente, saberá avaliar convenientemente os professores que trabalham sob a sua alçada.

E depois, veja-se o meu caso: o que me transmitiram foi que me consideravam um bom trabalhador, mas que eu não me tinha empenhado o suficiente na elaboração do documento de auto-avaliação... O que quer dizer que o pior trabalhador da instituição pode ser de tal modo genial a fazer relatórios documentados que a escola fica sem a argumentação fundamentada que justifica a existência desses mesmos relatórios.

Não será isto um bocadinho absurdo?

1 comentário:

Camarada Choco disse...

Divulgação

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