sábado, outubro 04, 2008

Partilha 38

Este poema (escrito por um qualquer micro-semi-heterónimo meu) será o mote de um argumento cinematográfico intitulado "Madrigal":



Vou dar-te uma esperança
De tal modo magnificente
Que decidirás ser infeliz
Até que o teu claro horizonte
Esteja cumprido totalmente

Vou pegar em duas coisas complicadíssimas
A vida
A morte
E para que as possas contemplar em simultâneo
Vou simplificá-las à maneira de um geómetra
E colá-las nessa imagem singular
A que por falta de perspectiva
Damos o nome velho de amor

Correrás então
Em todas as direcções do mundo
Serás um puro sangue
Que não precisa de outra recompensa
A não ser a incerteza do coração

Vou dar-te uma esperança
Que te fará livre de visão

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