quarta-feira, outubro 08, 2008

Logos ou legos




É engraçado como alguns filósofos ficam incomodados com o facto de só conseguirmos construir a verdade através de uma linguagem imperfeita. Wittgensteins e Freuds vieram trazer a desconfiança ao mundo do verbo. Assim seja (presumo que terá sido necessário).

Eu nunca desconfiei da palavra. Pela simples razão de que só pretendo enunciar verdades que eu, enquanto homem, possa enunciar. E isso, só o posso fazer através da linguagem imperfeita. A Lógica e o Inconsciente são demasiado divinos para mim (e, no entanto, como eu amo os cientistas e os surrealistas). Desconfio, sim, é da forma como se usa a palavra.

Na minha experiência enquanto escritor de poesia e ensaio, verifico apenas que, enquanto o pensamento ou o verso não estão bem formulados, eles só conseguem veicular algo de medíocre (algo que eu só poderia conceber ao som da música, por exemplo, dos Blue). Como se a minha pessoa tivesse vários heterónimos (e todos são eu), alguns foleiros cheios de senso comum e ignorância da vida, e outros bem mais espertinhos, mas cuja esperteza não se distingue da maneira como foi formulada por palavras.

E não sou um retórico. A verdade também é minha compagnon de route (segue no lugar do morto). Só que não quero impressionar as divindades do sr. Freud ou do sr. Wittgenstein, mas sim discutir com outros homens.


(Na imagem, escultura de Nathan Sawaya)

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