quarta-feira, outubro 08, 2008

Crise deveras

Presumo que, dado o contexto que presentemente nos oprime, eu deveria usar o meu blogue para (também) falar da CRISE. Até porque, apesar de eu não perceber nada de finanças, não é com facilidade que aceito que façam de mim um cristo-porque-Valores-($$)-mais-altos-se-alevantam. E até tenho uma pequena biblioteca.

De qualquer modo, não vou falar da crise. Não só porque, por muito que me expliquem as belezas do aparelho ruminante da Economia Global, perante ela eu sinto-me sempre um palácio dourado a ignorância, mas acima de tudo porque, sem nunca perder o sentido da urgência prática (até já ando pelos estábulos a ver se não perco os trocos que por lá tenho depositados), nunca permito que algum contexto me impeça de amar a vida. Presumo que sou como aquela rapariga que, em pleno campo de concentração, não deixava que o seu íntimo se degradasse (passe a comparação, que já sei que estamos é metidos num campo de distracção).

E assim, como o meu amor à vida se confunde com a poesia e o cinema, continuarei a falar de Benjamin Péret (revolucionário comunista que nunca desistiu de falar do amor) e de Manoel de Oliveira (que, em pleno período revolucionário após o 25 de Abril, decidiu filmar "Benilde, ou a virgem mãe"). Não é uma demissão nem um escape. É uma resistência.

Peço desculpa aos leitores.

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