quinta-feira, setembro 04, 2008

Partilha 37

Afinal, ainda havia mais um texto destinado a ser retirado da forma final do meu livro "um pouco mais ou menos de serenidade"... Não sei se a ideia deste poema era frágil (falar sobre a morte a partir dum ponto de vista infantil: a paronímia), ou se foi o resultado que a desmereceu. De qualquer modo, não tenho suficiente gosto pelo projecto para o tentar rescrever.


um pêro no estômago


era eu lâmpado ainda quando me disseram

que de verão havia pêras e de inverno


muito depois é que aprendi

com infantil falta de jeito

que havia pêras p'ra acender e p'ra apagar

a luz encasquilhada no meu quarto


mas agora, sem polpa, só caroço

(pomo de terra arbitrário)

pergunto-me

se de igual modo há morte antes da pena

(já que o durante é paronímia)

e depois

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