terça-feira, setembro 02, 2008

Desinstitucionalmente falando

O casamento voltou a ter direito a protagonismo mediático.

Para que fique aqui bem sublinhado, eu, rapaz de esquerda, sou favorável tanto ao casamento como à família. Tudo aquilo que possa garantir um genuíno bem-estar afectivo me parece bem. Mas para que o casamento e a família sobrevivam de forma válida, eles têm de ser continuamente criticados.

Não é a lei que tem de "dificultar" o divórcio. É o casamento que tem de provar que, em situações de liberdade real, tem pernas para sobreviver. Porque não ouço ninguém dizer que uma das razões que possibilitaram casamentos duradouros no passado foi a total submissão do papel feminino dentro dessa instituição (ou seja, no fundo, a Vontade estava entregue a um único elemento do par)? E não será esse um dos problemas actuais (entre muitos outros): o facto do casamento reflectir a nossa inaptidão serôdia para lidar com a liberdade e a integridade do Outro?

1 comentário:

Miguel Drummond de Castro disse...

O casamento, no fundo, é um típico problema da área do Advaita. Se não estivermos em união connosco próprios (com o "atman")como podemos estar em união com seja quem fôr?
Como raras são as pessoas que conseguiram esse feito ontológico : samatman, segue-se que a maior parte dos casamentos à partida já são um divórcio.

Por isso a legislação que paira à roda do casamento,as religiões ou os laicismos, pró ou contra, etc. não passam de puro "babillage."

Sendo que a pior coisa que lhe aconteceu é ter sido estabelecido como "contrato". E por esse facto ter transformado as relações conjugais em mais um ramo ou melhor dito, tentáculo, da economia todo-poderosa.


Um abraço,

Miguel