quarta-feira, agosto 06, 2008

What is the question?

O Mundo é um lugar sem perfeição.

Algumas das pessoas que acreditaram em fins da História (quando essa fé ainda era possível) não foram ingénuas, mas verdadeiramente generosas (ao contrário do que dizem os muitos bem-instalados-no-mundo-pós-moderno-que-já-sabe-da-poda). Claro que houve teimosias absurdas, crueldades intoleráveis, e por fim todos os gulags do mundo. Mas algumas dessas personagens sopradas pela utopia terão sido, assim creio, sinceras.

No entanto, o Mundo é um lugar sem perfeição. Cada problema que resolvemos engendra outro que nunca poderíamos ter previsto. Por exemplo, o mundo ocidental conseguiu resolver a dependência do Homem face aos caprichos da agricultura. Fantástico (hoje, a fome no mundo ocidental é um escândalo de difícil explicação). No entanto, não só não resolvemos o problema da alimentação no resto do mundo, como criamos um problema ainda mais estúpido, que é a obesidade que epidemicamente assola esta parte do planeta. É praticamente impossível viver na Europa ou nos Estados Unidos sem ver a sua saúde comprometida pelo excesso e pela mediocridade da alimentação com que nos quisemos proteger.

Aquilo que eu considero um verdadeiro esforço de cidadania é a vontade de parar e pensar qual a motivação inicial que levou a determinado estado das coisas. Por que razão construímos este mundo ocidental desta forma? E será que essa razão se mantém, ou foi completamente pervertida (provavelmente por culpa de ninguém)? É bom que o Homem tenha sempre que comer, independentemente de meteorologias ou pragas. Mas o que aconteceu depois?

É esta a minha desconfiança no capitalismo: a vontade de deixar tudo em liberdade por razões de eficácia económica acaba por também provocar os seus inefáveis Monstros. Claro que, depois, quando percebemos que a real acção do mundo é levada a cabo por G3s e G8s, podemos entrar em desespero. No entanto, se não queremos desistir por completo (e eu, francamente, gosto tanto de viver), temos de continuar a lutar, quanto mais não seja pela possibilidade de o mundo se aproximar um pouco do ponto G.

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