domingo, julho 13, 2008

Post um pouco mais grave

A Arte serve, sobretudo, para provocar a hesitação ou para catalisar a decisão. Por exemplo, no terrível filme "Le diable, probablement", de Robert Bresson, quando o jovem protagonista se prepara para o suicídio, passa por uma casa de onde sai o som de uma sonata para piano de Mozart. Aí, ele pára: afinal talvez não seja bom sair de um mundo onde existe tal beleza. Mas logo a seguir, decide prosseguir com o seu acto desesperado: se o mundo real está em tão trágico desacordo com essa beleza, mais vale não permanecer nele.

Num exemplo contrário, "As noites de Cabíria" de Fellini, a personagem de Giuletta Massina, depois de ter descido até ao mais fundo da desilusão, adquire um pouco de força para sobreviver quando um bando de jovens músicos apalhaçados lhe faz nascer um fio de alegria. Neste caso, nem sequer sabemos se se trata de uma hesitação ou de uma decisão. E por isso é um dos finais mais belos da história do cinema.

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