quarta-feira, julho 02, 2008

Copernicianamente

Quando a ciência esclarece (por fim) um fenómeno, de imediato os racionalistas tentam aniquilar o mito que anteriormente fazia as vezes de explicação.

É claro que se, após o consenso científico, muitos indivíduos ditos civilizados continuarem agarrados à superstição (como acontece agora com o criacionismo), é preciso militar friamente contra o obscurantismo.

No entanto, o mito desmascarado não perde relevância do ponto de vista cultural. No sentido em que diz mais sobre o que é ser Humano do que a própria ciência. Assim sendo, a ciência permite que a ilusão se torne metáfora (que, ao contrário do símbolo, nunca é arbitrária e tem um potencial anti-totalitário). Ou seja, não assegura apenas a sobrevivência material, mas também (ainda que indirectamente, através da libertação da cultura) a sobrevivência espiritual.

A arte ocupa-se, pois, dos espectros infra-científico (aquilo que a razão já desmontou) e ultra-científico (o infinito que está por conhecer). E parece-me que as ciências humanas e económicas ganhariam mais em se aproximarem da humildade da arte do que da exactidão das ciências naturais.

1 comentário:

Amet disse...

hihihihihihih. Exactamente.