sábado, junho 21, 2008

Ups

Por vezes, utilizo rima nos meus poemas. Nunca escondi que não aprecio música pesada, e gosto de manipular aquele efeito sonoro, o mais infantil da escrita poética, como se estivesse compor música doce ao estilo de Jacques Brel, Leonard Cohen ou Chico Buarque.

Conforme fui avançando no meu trabalho, comecei a cultivar um tipo de rima absolutamente imprevisível, casual. Ou seja, não há nenhuma regra fria (e absurda) a determinar os lugares do poema que devem forçosamente rimar, devendo o efeito sonoro surgir sempre como uma surpresa mais ou menos harmoniosa, menos ou mais racional, mas sempre produtora de um sentido inesperado.

Pratico, portanto, uma espécie de rima surrealista. O problema é que esse efeito é por mim friamente calculado com uma vontade obsessiva de precisão. A minha rima surrealista deriva de uma escrita anti-automática.

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