quarta-feira, maio 07, 2008

Partilha 32

(Publico aqui um poema que não me parece suficientemente forte para fazer parte do corpo do livro que estou agora a escrever, e cujo título é "um pouco mais ou menos de serenidade". Por favor, peço à vintena de leitores do cabodaboatormenta que não considere isto um insulto... Simplesmente, a tensão mais descontraída de um blogue permite que nele depositemos objectos que prejudicariam a fluência mais exigente de um livro.
O texto foi inspirado por uma história verídica vivida por um primo meu.)



palavra nova

uma festa
a festa
............(uma)


os copos quase todos esvaziados
(de adultos)
mas como o vazio hesita
na sua própria indefinição
restam algumas gotas de imarcescível
no fundo da forma de alguns desses co(r)pos
(e que súbito
que estival
tão grande um mar depositado
no tão pequeno o espaço do acessível)

a criança
liberta de parentes e parêntesis
vai debicando
(não grão a grão)
essas águas turvadas de (e)moção
que não fazem maré mas bebedeira

só mais tarde
a vida um pouco mais fechada em dicionário
saberá a criança o sentido
(a ressaca)
do imarcescível

nesse momento
(momento banal
o momento)
estará a criança pronta para murchar

***

por que razão existem palavras difíceis?
é para significarem melhor?
na floresta da vida
nunca saberemos se a língua
é uma avó convalescente
ou apenas um predador

mas ninguém nos tirará
(da ousadia)
o capucho vermelhinho

4 comentários:

L. disse...

hooray for the wolf

Helmut Lang disse...

O acaso trouxe-me aqui. Parece-me bem...
Um abraço do teu primo
Vasco

pedroludgero disse...

Vasco,


Desculpa a franqueza, mas não me estou a lembrar de um primo com este nome...

A não ser um familiar distante que era filho de uma senhora simpática que nós tratávamos por Guidita. Serás esse?

Saudações

Pedro

Helmut Lang disse...

Exacto. E obrigado pelo elogio que fazes à minha mãe.
Um abraço do teu "primo",
Vasco