quinta-feira, março 06, 2008

Tradução 6

Poema "A pulga", de John Donne, traduzido por mim:


Repara é nesta pulga, e nisso vê
Quão pouco aquilo que me negas é;
Sugou-me a mim, e agora a ti te suga,
'Stão nossos sangues em união na pulga;
Sabes que isto não pode ser tomado
Como defloração, como pecado,
....Mas sem fazer a corte ela desfruta,
....Intumesce de um sangue com origem dupla,
....Ah, como isso é bem mais do que a nossa conduta.

Pára, três vidas numa pulga poupa,
Onde nós quase... não!, já sup'rámos a boda:
Esta pulga é tu e eu, e tal
É o nosso templo e o nosso leito nupcial;
Estamos, a despeito dos pais e de ti,
Reunidos neste vivo claustro de azeviche.
....Mesmo se com direito me podes matar,
....Não queiras, a esse tanto, o suicídio juntar,
....E o sacrilégio, e assim por três vezes pecar.

Já purpureaste, com crueldade brusca,
Em sangue de inocência a tua unha?
De que pod'ria a pulga ser culpada,
Senão daquela gota que em ti foi sugada?
Todavia tu triunfas, e garantes
Que nenhum de nós dois 'stá mais fraco do que antes:
....Certo; compreende então o absurdo dos receios;
....Não terá mais valor, quando a mim te renderes,
....A honra, que a vida que na pulga tu perdeste.


(O texto original pode ser lido no meu site do myspace)

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