sábado, março 29, 2008

Lógicas que a lógica desconhece

Devo dizer que o caos não me interessa absolutamente nada.

(o não perceber tudo, o não saber bem o que se escreveu, etc.)


Aliás, se o caos o fosse realmente, nem sequer conseguiríamos dele ter noção suficiente para o podermos nomear.

Prefiro tomar a ciência como paradigma, e lembrar-me de como a lógica clássica com que o mundo foi entendido durante alguns séculos foi sendo substituída por outros modelos explicativos (a física quântica, a teoria das cordas), cada vez menos previsíveis, domesticáveis e até comprováveis. Não houve, contudo, uma cedência ao caos. Procurou-se, isso sim, outra maneira de organizar o discurso sobre o real.

Assim, parece-me que acontece o mesmo na arte. Quando uma obra desafia o modelo de clareza académica e universal que associamos a um certo classicismo, não quer dizer que devamos apreendê-la como o burro olha para o palácio. O que está em causa não é entender tudo (como quem decifra metáforas nos bancos da escola), mas conseguir articular uma hipótese de leitura onde as diversas partes que compõem a obra se possam articular num todo verosímil. Hipótese essa que pode compreender (como nos casos de Rimbaud, Paradjanov ou Max Ernst) o secreto, o não verbalizável, o absurdo, o irracional, o não partilhável, o subjectivo...

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