quinta-feira, janeiro 03, 2008

Plano pessoal de leitura

Quando eu era miúdo, um dos meus sonhos mais estimulantes consistia no projecto de construção de uma casa pelas minhas próprias mãos, recorrendo às ajudas prestadas pela arquitectura das árvores.

Não me parece que houvesse aí nenhuma vontade de arquitectura (as minhas armas criativas são outras), mas o simples desejo que a criança tem de viver (a priori) uma vida adulta que ela própria possa conceber. Não tanto receber um automóvel a sério no dia do décimo oitavo aniversário, mas construí-lo peça a peça com legos. Não ter de saber como de facto se limpa o pó e faz o jantar, mas inventar tudo numa casinha de bonecas.

Com o crescimento, essa ambição de inventar a pólvora ou é esquecida ou se transforma no impulso de reinvenção (essa coisa de cidadania que é querer construir o lar que compreendemos em vez de habitar a casa que nos propõem).

Ao ler "O barão trepador" de Italo Calvino, a história desse miúdo teimoso que decidiu passar a viver nas árvores, mas que nesse mundo outro reconstruiu com mais equilíbrio o mundo nosso, sinto-me transportado para a dimensão política da minha infância. E se alguma nostalgia eu sinto, é a de não ter lido este livro nessa altura.

1 comentário:

dora disse...

(... nessa altura eras tu quem escrevia o livro e fazia a casa; por isso o podes ler agora, como teu)