quinta-feira, janeiro 24, 2008

Peregrinando

Quando tenho uma ideiazita, fico logo com o receio de me ter vindo uma iluminação tipo Luís Filipe Menezes. Por isso, normalmente prefiro manter-me calado.

No entanto, posso dizer que me passou pela cabeça a possibilidade do cinema português passar por um processo de conversão geral à tecnologia digital. Afinal, não há possibilidade de aqui existir uma indústria cinematográfica (como pode alguém sonhar com isso perante as incríveis fragilidades da nossa economia?). E de qualquer modo, no mundo, indústrias dessas contam-se pelos dedos de uma mão.

A tecnologia digital está agora a começar a sua História (tanto técnica como estética). O horizonte de possibilidades tem uma amplidão com que a película nem poderia sonhar. Alguns dos melhores filmes dos últimos anos foram feitos através desse processo. E a melhor notícia de todas é que o digital é pouco dispendioso (os custos com material e até com a equipa são muito, muito menores).

Num país onde não há dinheiro para filmar, talvez não fosse disparatado promover este novo modelo de produção (apostando em tecnologia de ponta, de grande qualidade). Mais gente filmaria, mais vezes toda essa gente filmaria, e até talvez se pudesse melhorar as condições de criação de cada projecto.

O que temos de salvar no cinema é o seu poder de comoção estética e intelectual.

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