segunda-feira, dezembro 31, 2007

Situação Cronenberg














Depois de ter estudado obsessivamente o problema da mutação ao nível do corpo, o cineasta David Cronenberg parece querer agora transferir essa mesma preocupação para o âmbito do social. Assim o indiciam os seus dois últimos filmes.

No entanto, se no passado o canadiano provocou a própria mutação do género que elegeu como seu (nunca o filme de terror foi levado tão longe), não está agora a demonstrar igual ambição perante o novo tipo de cinema que quer fazer.

Há sempre motivos de interesse. Por exemplo, em "Eastern Promises", o autor propõe uma espécie de confronto entre a escrita-no-corpo (as tatuagens da personagem de Mortensen, que o ajudam na gestão do seu poder) e a escrita-após-o-corpo (o diário que relata a vida passada da prostituta, gerador do sentimento de revolta da personagem de Watts).

Há também uma certa atenção ao cinema dos outros, não tão bem gerida no que concerne a Coppola (de facto, "The godfather" é um filme irrepetível), mas profundamente assimilada no caso de Spike Lee (na denúncia da relação nunca assumida entre sexualidade e os diversos movimentos do social).

Todavia, a sensação que nos fica é a de um relativo excesso de pudor na gestão da própria mutação que o realizador está a sofrer.

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