segunda-feira, dezembro 10, 2007

Douta ignorância

A criança, o pré-adolescente, o casto, a solteirona, o sacerdote lorpa, o marginalizado, o impotente, o assexuado-dizem-os-psis, o promíscuo incorrigível, o anjo, o autista...

Quem nunca teve uma relação sentimental, pode sempre imaginá-la guiando-se por aquilo que todos lhe dizem (todos: pessoas, livros, filmes, animais, plantas, paisagens...). Como Dürer fez com o seu famoso rinoceronte.

Logicamente, o ignorante cometerá erros de cálculo: um corno que não é suposto existir naquele sítio do amor, uma pele demasiado sofisticada, a desproporção abstracta entre as partes que constituem o todo. E etc., e etc.

Bagatelas.

O desenho do ignorante sobreviverá à passagem do tempo. Mesmo à passagem do tempo sobre o possível ganho de experiência do desenhador. Em parte por causa da intuição, mas acima de tudo porque um rinoceronte é sempre fácil de conceber.

2 comentários:

dora disse...

muito bom (li muitas vezes:)

pedroludgero disse...

Obrigado pelas tuas palavras__