sábado, novembro 17, 2007

Todos os acentos são ridículos

Dizem os especialistas que não podemos opinar sobre o que não sabemos. A minha opinião é: discordo.

O que os especialistas têm é de nos apresentar as razões científicas, técnicas, filosóficas, etc., que os levam a defender esta ou aquela ideia ou prática, e em seguida dar espaço aos não-especialistas para aceitarem ou não a proposta. Será que não podemos votar nas eleições legislativas porque não percebemos nada de economia, direito ou política internacional? Isso afigura-se absurdo.

Num programa recente da RTPN sobre a iminência (bem pouco iminente) da assinatura do Acordo Ortográfico pelos diversos países onde se fala português, chegou a levantar-se a hipótese de, em nome da maior facilidade de aprendizagem e aplicação da língua, podermos um dia chegar a suprimir os acentos ortográficos.

Só queria dar a minha achega. Estou neste momento a aprender russo. Ora, o enigmático povo de Dostoievsky tem a nefasta mania de não acentuar palavra nenhuma. Supõe-se que o falante saiba qual a sílaba tónica de cada palavra, apesar de ela não estar graficamente assinalada. Pior a emenda que o soneto: quando tento ler um texto em russo, nunca sei como pronunciar as palavras (a não ser que tenha decorado anteriormente a sua correcta sonoridade).

Aliás, durante as lições preparatórias, todas as palavras são acentuadas para... facilitar a aprendizagem aos corajosos aprendizes de tão distante e distinto idioma. O meu professor insinuou mesmo que talvez se estivesse a tentar inverter a prática da não acentuação no seu país natal.

Preferia, pois, que me dissessem que é preciso simplificar as regras de colocação dos acentos, e não que defendessem (ainda que um pouco oniricamente) a sua pura e simples abolição.

1 comentário:

Terpsichore E. M. disse...

Ah Pedro
Se vejo esse acordo ser assinado, eu passo-me.