segunda-feira, novembro 05, 2007

História mal contada

Uma das ironias da nossa evolução social foi o encontro histórico fortuito que se deu entre a tendência para o Homem se organizar em famílias e a ideologia burguesa. Pois na medida em que a família é um órgão de dinamização dos afectos, estaria em princípio muito bem posicionada para funcionar como um laboratório de aventura (um lugar catalisador de civismos, liberdades e realizações múltiplas).

Ora, o burguês é aquele que abdicou da imaginação (independentemente da definição política, económica, sociológica que lhe quisermos dar). Pior: é aquele que acha que esse desprezo lhe garante, de facto, a felicidade (sei-o porque estou rodeado de burgueses por todos os lados). A família tornou-se, por isso, uma instituição de formatação infantil, nomeadamente ao nível da identidade profissional e da realização sexual/sentimental.

Defender a instituição familiar sem a criticar é uma prova de insegurança intelectual. Rejeitá-la com agressividade só pode levar a um empobrecimento emocional. A nossa vocação gregária precisa de ser pensada e vivida com outra largueza de horizontes.

Sem comentários: