domingo, outubro 07, 2007

Cadernos Fellinianos 4

"La dolce vita" é um filme um pouco esquecido.

Vi-o pela primeira vez com cerca de vinte anos de idade. E guardo essa sessão na memória como o momento de maior comoção cinéfila que alguma vez tive (ou terei, porque já não vou para novo e essas coisas estão dependentes da hormona da inocência). Acima de tudo, eu não sabia que se podia fazer cinema assim: com tanta imaginação, com tanto sentido de festa, tanto humor, vitalidade e surpresa. Fiquei com a ideia de que este filme se confundia com a experiência máxima da euforia.

Alguns anos depois, revi-o na televisão. No entanto, ou porque a minha idade já tivesse reduzido o ecrã da entrega interior, ou porque a caixa que mudou o mundo seja acima de tudo um instrumento de emudecer, a verdade é que "La dolce vita" me pareceu um dos filmes mais tristes que alguém poderia conceber.

Finalmente, tinha-o percebido.

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