domingo, setembro 23, 2007

Partilha 21

(Para apagar a sensação de desconforto orgânico do post anterior, um poema da colectânea que estou a escrever presentemente):



ser de cedilha

uma pipa (onde se guarda
................. ......cachoeira):
pode esparramar-se

derramar-se

e assim se armar caracol


o muro bebe-o

como se em mel amolecesse

por mero sinal de lágrima

julga a couve encarecer

e o sol

que só por causa do arrebol põe rímel

pega a sua própria queda pelos cornos


eles aí vão

correndo a mil calómetros à hora

voltando aos seus lugar's todas as coisas

(mesmo eles não morrendo

mas encostando às boxes)



[Nota: "calómetro" refere-se a uma (suposta) medida de beleza.]

1 comentário:

Miguel Drummond de Castro disse...

mil calómetros!

vivo num síito cheio de caracóis. Acho que são marujos do cesariny, meninas do Sade, asas de cegonha e de lava.

Infectam as paredes com baba. destilam o alcool da madrugada. Riem~se na cara das aranhas.

Gostei muito deste seu poema, inspirador.