quarta-feira, setembro 12, 2007

Longe do Conservatório

Jordi Savall é um intérprete que não tem receio de ser autor. Mais do que um historiador, ele é um criador de Passado (sempre assumiu que o seu trabalho de arqueologia se baseava na incerteza, o que em nada lesa o espírito de rigor e a investigação meticulosa).

Coordena ousados intérpretes que experimentam mais instrumentos do que aqueles que foram forçados a aprender, que improvisam, que conseguem empatia com o público, enfim: tratam com gosto e imaginação um material que se arriscava a ficar esquecido ou interpretativamente mal-tratado.

Trabalha com a mulher (ela foi a Música na sua versão do "Orfeo" de Monteverdi), com a filha Ariana (e penso que Ferran Savall também será familiar), com cúmplices parciais (como Ton Koopman), com uma equipa habituada ao convívio criativo. Ao contrário do que é habitual nos meandros da música clássica (ora a competência asséptica, ora a prática da capelinha), o maestro não separa a sua rede afectiva da sua busca intelectual.

1 comentário:

Rui Rebelo disse...

"tocar música antiga é como fazer ficção cientifica"

genial músico. tive a honra de o conhecer.