sexta-feira, junho 22, 2007

Lady Chatterley

Pascale Ferran é uma narradora extremosa.


Apenas alguns exemplos do seu rigor:

1. Após a primeira relação sexual de Lady Chatterley com Parkin, surge pela primeira vez uma voz-off narrativa. Mas é uma voz de mulher: mais do que uma sinalização do ponto de vista feminino a partir do qual o filme se constrói, esta interrupção formal serve para mostrar que Lady Chatterley adquiriu, finalmente, uma VOZ.

2. Quando Constance parte de automóvel com a irmã, e começa a sentir uma tristeza aflitiva por causa do afastamento do seu amante, vemos as árvores (que tão importante papel tiveram no florescimento daquele amor) de súbito reflectidas no pára-brisa do veículo, como se fossem já fantasmas de um passado que ameaça morrer. A imagem amplifica o jogo da actriz.

3. Depois da quase-grotesca cena em que o marido de Constance revela a sua psicologia através da sua teimosia para com a cadeira a motor, o espectador já não tem disponibilidade emotiva para mais nada a não ser a absoluta libertação que coroa os momentos seguintes. Ferran sabe como conduzir as expectativas.


E etc., e etc.

2 comentários:

verde disse...

Adorei o filme. Parabens pelo blog, que está muito interessante.

pedroludgero disse...

Obrigado pelas tuas palavras.