domingo, maio 13, 2007

Opus 1

1. A estética da harmonia tonal deveria ser uma pequeníssima ilha da História da Música. Um momento. Magnífico: mas um momento. Bach deveria ser ouvido por uma seita de freaks, Mozart deveria estar gravado em raridades de vinil, a funesta Callas precisaria de protecção policial, o Horowitz sairia dos concertos directamente para o hospício, o oboé estaria protegido como uma jóia ou relíquia, a leitura das partituras dependeria de inúmeras pedras de roseta, e os maestros provocariam tanta desconfiança quanto os médiuns e os endireitas.

A música dominante deveria ser toda concreta, deveria ser a variável comovente do ruído vital, baseada na imprecisão do ritmo do corpo, na ausência de beleza da voz comum, no desprezo pela motricidade fina, no improviso, no amadorismo infantil dos mais rudes instrumentos. Não um palácio para burro contemplar, mas a expressão urgente de cantar em conjunto a existência.


2. O meu cânone musical: "Frère Jaques, frère Jacques. Dormez vous? Dormez vous?"

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