quinta-feira, maio 10, 2007

Livre por ter cão, livre por não ter

Tantas vantagens tem a clareza quanto a ambiguidade.

A primeira exige virtuosismo de decifração (um texto claro só se torna óbvio quando o seu leitor o consegue articular de forma rigorosa).

Quanto à ambiguidade, ela tem toda a fragilidade das coisas requintadas. O seu fulgor depende sempre de uma arte da leitura. O receptor do texto tem de o ler com a mesma generosidade de espírito com que ele foi inicialmente concebido.

De qualquer modo, nada é pior do que intuir grandes metáforas num texto claro, ou dar uma interpretação unívoca de um texto ambíguo.

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