No último programa Câmara Clara (domingo, 13 de Maio), o arquitecto Nuno Portas assumiu, com a grandeza que sempre é necessária a este tipo de humildade, que no passado se tinha oposto à construção da Ponte 25 de Abril, porque esta lhe parecia uma obra megalómana, pouco estudada, etc. E enfim, Lisboa já nem sequer é hoje pensável sem a dita ponte.
O ponto de vista é interessante. Mas é preciso partilhar dois alertas. Por um lado, há que tomar em consideração o facto de que o momento presente acaba sempre por tomar o aspecto de uma evidência inquestionável. Afinal, vivemos milénios sem telemóvel, e quem é hoje capaz de sobreviver sem um desses irritantes bichos? O que eu quero dizer é que, eventualmente, poderia haver uma outra ponte, colocada num outro lugar (ou mais do que uma ponte, sei lá), que até servisse muito melhor a capital do que esta. É claro que a História não se faz de "ses", mas o Pensamento só sobrevive à custa de um constante espírito de crítica. Talvez nenhum arquitecto devesse aceitar a paisagem urbana sua contemporânea como uma inevitabilidade. E sei que Nuno Portas não o faz.
Por outro lado, há obras que hoje já sabemos terem sido fruto de uma megalomania improdutiva. O que fazer dos famosos dez estádios de futebol do Euro?
O ponto de vista é interessante. Mas é preciso partilhar dois alertas. Por um lado, há que tomar em consideração o facto de que o momento presente acaba sempre por tomar o aspecto de uma evidência inquestionável. Afinal, vivemos milénios sem telemóvel, e quem é hoje capaz de sobreviver sem um desses irritantes bichos? O que eu quero dizer é que, eventualmente, poderia haver uma outra ponte, colocada num outro lugar (ou mais do que uma ponte, sei lá), que até servisse muito melhor a capital do que esta. É claro que a História não se faz de "ses", mas o Pensamento só sobrevive à custa de um constante espírito de crítica. Talvez nenhum arquitecto devesse aceitar a paisagem urbana sua contemporânea como uma inevitabilidade. E sei que Nuno Portas não o faz.
Por outro lado, há obras que hoje já sabemos terem sido fruto de uma megalomania improdutiva. O que fazer dos famosos dez estádios de futebol do Euro?
4 comentários:
Para mim, o problema é que se deixa de discutir uma coisa quando ela já está feita. A sua existência precede a sua essência e, como tal, ninguém discute para que serve ou para que foi feita. Já ninguém fala do túnel do Marquês e se se fala dos estádios do Euro nas ruas, é porque são tantos que dão nas vistas. Por isso, a regra a partir de agora já será outra: faça-se o que se quer fazer o mais depressa possível. Até á conclusão, ainda chateiam; depois, toda a gente esquece.
Miguel Domingues
(www.limitationoflife.blogspot.com)
Como tinhas dado o teu blogue como acabado, não pensei que continuasses a escrever noutro tasco.
Em breve colocarei este novo endereço nos meus links.
Abraço.
Não foi bem por esse motivo que comentei, mas aceito toda a divulgação que me puderem dar :)
De qualquer modo, há vícios que não largamos e que não nos largam. O meu é escrever sobre cinema.
Abraço.
Enviar um comentário