Na sua crónica do PÚBLICO de hoje (15 de Maio), Eduardo Prado Coelho diz que, no pensamento pós-moderno sobre a criação artística, o conceito de energia se sobrepôs (sem o afectar propriamente) ao conceito de beleza.
A observação é pertinente. Mas eu talvez usasse outras palavras. Pois se há conceitos que tivemos de pôr radicalmente em causa (por exemplo, a legitimidade da escravatura), parece-me que há outros que não precisam de ser superados, mas apenas afinados. De certo modo, a História do Pensamento talvez revelasse mais grandeza se os filósofos não tentassem tanto competir entre si (embora haja momentos em que é preciso tomar posições claramente iconoclastas), mas actualizar aqueles conceitos que deram frutos positivos no Passado (para além de propor novos conceitos, é claro). Actualização essa que passa por uma nova gestão do conceito à luz do que a experiência presente nos ensina (e que nada tem a ver com protecção de património, mas com a defesa da identidade e legitimidade da nossa sobrevivência enquanto Humanidade).
Afinal, o Fellini (tão atacado pelos críticos da contemporaneidade...) dizia que belo era tudo aquilo que comovia (note-se o movimento que está inserido nesta palavra), e não o que obedecia a regras de harmonia, doçura, etc. E haverá alguma coisa mais transbordante de energia do que uma pintura de Dürer?
Talvez se pudesse então dizer que uma obra do passado que ainda continua a ser bela é aquela que nos acomete com a sua energia. E que uma obra do presente, quando válida, pode ser considerada (se assim o quisermos) bela de acordo com o progressivo e imparável alargamento das fronteiras desse conceito (o que é, afinal, a mais justa definição de vanguarda).
A observação é pertinente. Mas eu talvez usasse outras palavras. Pois se há conceitos que tivemos de pôr radicalmente em causa (por exemplo, a legitimidade da escravatura), parece-me que há outros que não precisam de ser superados, mas apenas afinados. De certo modo, a História do Pensamento talvez revelasse mais grandeza se os filósofos não tentassem tanto competir entre si (embora haja momentos em que é preciso tomar posições claramente iconoclastas), mas actualizar aqueles conceitos que deram frutos positivos no Passado (para além de propor novos conceitos, é claro). Actualização essa que passa por uma nova gestão do conceito à luz do que a experiência presente nos ensina (e que nada tem a ver com protecção de património, mas com a defesa da identidade e legitimidade da nossa sobrevivência enquanto Humanidade).
Afinal, o Fellini (tão atacado pelos críticos da contemporaneidade...) dizia que belo era tudo aquilo que comovia (note-se o movimento que está inserido nesta palavra), e não o que obedecia a regras de harmonia, doçura, etc. E haverá alguma coisa mais transbordante de energia do que uma pintura de Dürer?
Talvez se pudesse então dizer que uma obra do passado que ainda continua a ser bela é aquela que nos acomete com a sua energia. E que uma obra do presente, quando válida, pode ser considerada (se assim o quisermos) bela de acordo com o progressivo e imparável alargamento das fronteiras desse conceito (o que é, afinal, a mais justa definição de vanguarda).
2 comentários:
afinação em que tom?
Onde se pode ouvir a tua música?
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