quinta-feira, abril 12, 2007

Música no coração

A poesia é uma das actividades mais frágeis que existem. Desde logo, porque é presa (demasiado) fácil do humor mercenário. E ainda porque os seus detractores fingem que não conseguem distinguir a Cristina Caras Lindas do Baudelaire.

Em compensação, a música parece inatacável (e reina com seu ceptro de ambiguidade). Pois a música faz o mesmo que a poesia, mas evita nomear os seus objectos de comoção. A música é cobarde. Cobarde não é Cervantes quando enumera aquilo que condena (os prazeres da fantasia), nem Tchékhov quando deixa as personagens falarem sobre aquilo de que ele duvida (os prazeres da utopia). Fazem música, mas dizem sobre o que versa a banda sonora.

Se alguém traduzisse a magnífica música de Bach ou Mozart, os humoristas iam ter muito, muito pano para as suas mangas.

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