quinta-feira, abril 19, 2007

Confissão (ensaio)

Rossellini construiu o catolicismo mais original, livre e até herético da História do Cinema.

Em "O medo", filme ainda hoje considerado menor, a apropriação que o Homem sempre faz da figura religiosa da confissão é fortemente criticada pelo realizador (basicamente, o confessor reduz-se a um manipulador do conceito da culpa, a um chantagista).

Ora, o Deus do autor é a Sinceridade (daí a relevância deste filme no seu pensamento). Seja na epifania do final de "Viaggio in Italia", seja na erupção que conclui "Stromboli", as suas personagens são sempre levadas até ao mais fundo de si mesmas. Por isso, em "O medo", o que está em causa não é o pecado, mas a constatação de que a única virtude da ameaça de confissão é a possibilidade de pôr em causa a validade e o sentido de estar vivo. Assim sendo, confessar é picar o ponto; mas ter vontade de confessar já é metafísica.

Tudo se passa no íntimo, sem instituições (religiosas ou cinematográficas), sem representantes da divindade, sem dogmas nem sermões.

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