sábado, março 03, 2007

Partilha 10

“quando piove sul mare, ogni goccia è perduta”
Cesare Pavese


noite
um rebanho de formigas brancas labora
deixa palavras de limão sobre o papel
(dos poemas amados chove cinza)
de repente
o vaivém das imagens contamina a pele
um doce vento começa a folhear
(a desfolhar) ondulações
e enquanto o cavalinho da madrugada
fino e delicado como o arroz
(ou outro alfabeto vegetal)
acusa a acidez do mundo
um sol de cigarras em fogo esbanja Beleza
o mar rasga e esvai-se em silêncio
(em cirílico)


(este poema faz parte do meu livro inédito: "dar o dizer por Não dizer")

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