domingo, março 11, 2007

O primeiro sentido

Uma das dificuldades que um ateu experimenta na sua relação com o pensamento religioso é a compreensão da figura do milagre.

Como já sabemos que tudo o que aconteceu in illo tempore (e agora já não acontece), se resume sempre à categoria da lenda (e descamba em mito), e como ninguém no seu perfeito juízo pode imaginar Cristo multiplicando pães com a assistência técnica de George Lucas (o investimento nos efeitos especiais parece-me, de resto, uma das causas da decadência onírica do cinema), pressinto que a missão do teólogo contemporâneo deveria também passar pela tentativa de pensar o significado daquilo a que se convencionou chamar o milagre. E não vale simplificar dizendo que é uma metáfora.

É claro que temos sempre "Ordet" ("A Palavra") de Dreyer.

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