sábado, março 17, 2007

O fantástico

O fantástico é o meio pelo qual alguém nos faz ver aquilo que ainda não conseguimos ver. Seja por défice tecnológico (como mostrar imagens da superfície lunar antes da invenção do telescópio?), por razões científicas (os filósofos gregos ensinaram que havia verdades que podiam ser achadas pela lógica, antes mesmo da experiência as poder confirmar), ou por intuições da fé (a crença em Deus para quem a leva a sério, ou o poema que descreve uma pessoa amada a quem nunca amou).

Há por isso, no fantástico, uma estrutura dúplice. Por um lado, a materialização visionária que alimenta a fome de conhecimento e de futuro. Mas por outro lado, a inevitável evidência de que a imagem de fantasia é sempre virtual, imperfeita, não tem consistência nem garante de autenticidade.

Quando a fantasia é dada com excesso de verosimilhança (de corporalidade), não se perde apenas o seu lirismo encantatório. Perde-se, acima de tudo, a própria função metafísica do fantástico.

1 comentário:

dora disse...

( fantasticamente colocado )