Se uma sociedade qualquer tivesse tentado realmente materializar a República de Platão ou a Utopia de Tomás Moro, odiaríamos hoje aqueles dois intelectuais tanto quanto odiamos Marx. Se Jesus Cristo, aliás, tem tanto prestígio, é porque ninguém (e especificamente os próprios católicos) faz o que o senhor preconizou.A maior conquista da Filosofia foi a perda da arrogância. Não tanto o abandono da razão, mas o seu enriquecendo humilde (incluindo a razão religiosa, poética, sensual, sofredora, etc.) O pensamento, de facto, ilumina. Rasga a obscuridade, mostra a verdade do contexto, insinua as hipóteses de percurso: é o candeeiro na noite da pólis. Mas nenhuma luz obriga a seguir esta ou aquela direcção. A liberdade do homem perante o pensamento, perante qualquer pensamento, é o principal garante de uma acção com validade ética.
O Pensamento brilha: é o seu único poder.
2 comentários:
Mas, nós odiamos Marx?
Eu não, pelo menos. Se a sociedade preconizada por Marx deu no que deu, a teoria marxista continua a ser fulcral para a análise cultural. Nuca, por exemplo, o conceito de alienação foi tão útil.
Para mim, o ódio ao marxismo continua a ser um problema de superestrutura.
É por concordar um pouco contigo que escrevi este post...
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