A partir dos conceitos que a leitura de Maria Zambrano me traz, apercebo-me de que, num desespero, o mais relevante talvez não seja a gravidade da circunstância real que o produz, mas sim o grau com que essa realidade possui o desesperado: o modo como o ocupa de forma excessiva.Daí a impressão que temos de que algumas pessoas se suicidaram por bagatelas, enquanto outras resistiram a holocaustos. Mas não há nisto nem futilidade nem heroísmo. Tudo depende do modo específico (não muito voluntário) como a realidade se relaciona com a nossa disponibilidade para o sonho e para as suas formas análogas (distracção, esquecimento, êxtase, obsessão, alienação, criação artística, etc.).
Tudo depende de como comemos uma romã.
2 comentários:
lindíssimo texto...
pelo ínfimo que sente e faz límpidamente essencial
( vou guardá-lo perto )
Obrigado pelas suas palavras.
Enviar um comentário