terça-feira, janeiro 30, 2007

Sim

Confesso que não me revejo na maioria dos argumentos tanto daqueles que pretendem responder "Não", como dos que vão responder "Sim", à questão levantada no referendo de 11 de Fevereiro.

A razões que me aproximam (sem demasiada convicção) da resposta afirmativa são as seguintes:

a) Os partidários do "Não" radicam a sua defesa da Vida numa concepção científica primária: a partir do momento em que há uma célula de embrião, há Vida a ser protegida. Ora, no presente estádio da nossa civilização, não há nenhuma evidência científica (nenhuma) que possa ser aceite sem uma reflexão ética sobre ela. Ou seja, eu não sou pró-escolha, sou pró-vida. Simplesmente acho que a vida não ganha relevância (moral, filosófica, jurídica) quando a ciência ingenuamente o determina, mas quando nós, enquanto comunidade, lhe atribuímos essa relevância. Daí a importância do referendo, e acima de tudo da discussão que o está a preceder, para que a sociedade para si mesma assuma o que é, na verdade, e para nós humanos, a Vida.

b) Não me incomoda nada a questão das dez semanas. É uma quantidade pragmática (não nos podemos livrar disso), presumo que encontrada com critérios de razoabilidade. A legislação está cheia de prazos absurdos: por que razão condenar um homem a vinte anos de prisão, e não a vinte anos e um mês? As dez semanas constituem uma convenção pragmática, e com certeza que uma mulher que interrompa a gravidez às dez semanas e um dia, não será tão penalizada como uma que o faça aos nove meses menos um dia...

c) É claro que tudo isto gira em torno da mulher. É a injustiça da Natureza: o sexo feminino foi o escolhido para dar à luz. Um homem não pode obrigar uma mulher a manter a gravidez se ela não o quiser? Mas esse mesmo homem tem de assumir a paternidade se ela decidir de outro modo? Como se costuma dizer, e agora com mais propriedade: é a vida. Ninguém tem o direito de violentar a própria condição física que, para o bem e para o mal, é exclusiva da mulher.

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