terça-feira, janeiro 02, 2007

No plateau 6

No primeiro dia de rodagem, não filmaram nada. Jean-Look Spiell Bergman convocou toda a equipa e organizou uma almoçarada descomunal. Hors d'oeuvres (ainda não havia rushes...), prato de peixe, pratos de carne, fruta da era, doces eventuais, tabuada de queijos, café incompatível com adoçante, digestivos, charutos democráticos, tudo em abundância, cozinhado com os melhores ingredientes e segundo as receitas mais secretas.

O objectivo do repasto não era a criação de elos de sociabilidade, o levantamento da moral, ou o cumprimento de qualquer regra ancestral (e tribal).

Jean-Look queria que no filme se sentisse a saudade do prazer, queria que a câmara registasse (nos rostos, nos gestos, nos movimentos de câmara, nas inspirações da iluminação) a lenta digestão que o trabalho sempre provoca da verdade edénica do Homem. Ele acreditava que num filme, tudo ficava registado. Tudo.

A seguir, pensava fazer um filme pornográfico...

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