quinta-feira, janeiro 04, 2007

Meet me in St. Louis

O musical é um género cinematográfico que francamente me custa a engolir. E como toda a gente, já não aguento "It's a wonderful life", "The sound of music", "E. T." ou qualquer outro barbitúrico que nos impingem na época caló-rica-rosa de que acabámos de nos livrar. No entanto, apesar de me ter barricado dentro deste rivoelitismo (esta não saiu muito bem), reconheço que há alguns musicais (a dedo escolhidos) que profundamente adoro. "Meet me in St. Louis" combina todas as regras do género com o mais reaccionário kitsch natalício. E é um filme maravilhoso.

Gravei-o uma vez, há muitos anos atrás, para uma cassete VHS. Só que, ou porque a emissão televisiva fora defeituosa, ou porque o suporte vídeo tinha alguma conjuntivite, o facto é que, no filme que eu vi (e com o qual convivi durante muito tempo), as cores estavam tão carregadas, tão rutilantes, tão pincelada de impressionista, que perante o clássico de Minnelli sempre fiz figura de burro a olhar, comovido e de câmara na mão, para o Taj Mahal ou o palácio de Schönbrunn. Mais do que cinema, aquilo era a matéria de que os sonhos são feitos (dizia o outro).

Descobri mais tarde, por azar meu (e perda de um dos muitos três que nos vão abandonando), uma boa cópia. Sim, coisa melhor, tudo no sítio, cores equilibradas, brilhos verosímeis, bem mais bom gosto do que eu supunha. Que tristeza: puseram-me a metadona. Não há problema: ainda hoje penso no filme como uma das memórias mais agradáveis do tempo em que a cinefilia não começara a convalescer.

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