segunda-feira, janeiro 22, 2007

Anotação: "Lilith"

O derradeiro gesto criativo de Robert Rossen não põe em causa a moral sexual da sua época. Hoje, ninguém no seu perfeito juízo colocará a homossexualidade e a pedofilia no mesmo saco, como este autor o faz. No entanto, o espectador que viaje pelo cinema todo, tem de ser historiador das mentalidades. Distante, portanto, daquilo que merece distância.

Expurgado dos clichés do classicismo hollywoodiano, capaz por isso de ser um dos mais líricos filmes de sempre, esta narrativa de crueldade omnívora (tudo é agressivo - no fora de campo bélico, no mundo dos loucos, no mundo da gente normal) deixa-nos uma ideia estarrecedora: um homem pode regressar da crueldade da guerra com a intenção de ser homem melhor, mas nunca isso acontece quando a crueldade resultou da Beleza.

Uma evidência nada evidente, um filme polémico.

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