quarta-feira, dezembro 20, 2006

To get even is very odd

O lirismo não é a submissão do real à subjectividade, mas o registo da infinita estranheza que liga e separa o eu do Outro (daí o tema recorrente do amor). Não é preciso, portanto, desprezar a metáfora. Ela é válida quando em si mesma contém a denúncia da sua efemeridade (é uma inspiração: logo, logo, põe o poeta os pés na terra). A metáfora é o diálogo.

O ficcionista pensa que precisa de simular o real para que este se torne patente no texto (que é um Ser, como diz a Llansol). Ingenuidade: o mundo está em permanente invasão do texto. O mundo torna-o ser Vivo. Letra-sim, letra-não.

No teatro, dialogam poesia e ficção, Quixote e Sancho, sol e trevas. O teatro é o ritual do Par.

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