quarta-feira, dezembro 20, 2006

Time is honey

Desde que comecei a escrever um blogue, muitas das ideias que me assaltam já não as conduzo de imediato para a poesia. Muitas delas passam directamente para a blogosfera.

À primeira vista, isto parece nocivo. Ainda sou fiel à minha hierarquia de valores, e continuo a considerar a poesia como a mais importante actividade que faço em torno da escrita. Ou seja, em princípio as energias deveriam estar todas canalizadas para aí.

No entanto, pressinto que esta (indi)gestão de tempo acaba por ser bastante benéfica. Pois esta coisa da bloguice impede-me de recorrer ao poema por dá cá aquela palha, impede-me os textos de circunstância, as tentações diarísticas. Já não escrevo com a consciência antecipada e complacente de estar a fazer um poema dispensável.

E isto não quer dizer que considere que a participação na blogosfera é uma actividade menor, mas que nela encontrei o lugar apropriado para algumas das pulsões que andavam por maus caminhos.

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