domingo, dezembro 03, 2006

Não sou especialista

O que está em causa na TLEBS não é a legitimidade do progresso da ciência linguística. Se a ciência avança, temos de partilhar os seus pontos de chegada e de desconforto. E é claro que a terminologia tem de ser comum a todos os falantes de uma língua.

No entanto, se o objectivo é ensinar a LEITURA e a ESCRITA às crianças e aos adolescentes, parece-me que isso tem de ser feito com base em metodologias e conceitos muito simples, claros, e sugestivos. Os conceitos de ponta (exactos, mas frios e impronunciáveis) vão certamente atrapalhar a aquisição daquelas competências. Imagine-se se alguém tinha que saber os mais intrincados detalhes da mecânica para poder conduzir bem um automóvel... Ou então, que precisávamos de conhecer os nomes dos músculos para aprendermos a andar de bicicleta.

Não é uma questão de escolher entre os alicerces e os palácios da literatura, como levianamente disse Rui Tavares. A escolha faz-se entre uma escola eficaz (e diga-se, arejada) e um ensino toldado pela nostalgia da memorização de conceitos e definições. Já sabemos que os quilos e quilos de subtilezas linguísticas, que até agora tivemos de engolir, não deram origem a uma sociedade que se distinga propriamente pela literacia (quanto mais pela literatura...). Ensinar a ler e a escrever é uma generosidade que se confunde com a diluição das fronteiras e a agilização das burocracias do nosso pensamento.

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