sexta-feira, dezembro 29, 2006

FX

Tenho a filia dos rios. Já escrevi poemas, ficções, peças de teatro, argumentos de cinema, que gravitam em torno do poder de evidência desses entes generosos que permitem a comunicação, o comércio, o lazer, a imaginação. A primeira imagem que postei no blogue foi mesmo a do rio Ganges.

No entanto, no meio da exaltação lírica, apercebo-me de que, hoje, a maior parte dos rios não passa de um drama de poluição. Nas águas calmas dos rios já não nadam as ninfas: é quase tudo merda.

Pergunto-me se, um dia, o mundo tal como ainda o conhecemos (este mundo que herdámos sem precisar de testamento) já só existirá nas imagens que dele consigamos extrair à má-fé. Se, um dia, a beleza de um rio só será possível por efeito especial.


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