sábado, novembro 04, 2006

Piloto automático

Quando comecei a escrever poesia, lia e relia tantas vezes os Manifestos Surrealistas que não resisti a tentar a minha sorte nos meandros da escrita automática. Contudo, ou porque não sabia fazer a coisa com jeito (nisto de surrealismo, há muito de proeza na cama), ou porque a minha chávena de chá era outra (canela-maçã, ou mesmo café), os textos resultantes desse processo podiam todos servir de chão para o meu cão lhe passar por cima.
Um dia (uma noite?), saiu uma coisa com piada. Como não conto publicá-la, partilho-a com os passageiros deste blog.
Num poema em prosa, em que dois amantes entravam num quarto de hotel pelo buraco da fechadura, apenas para descobrirem que o quarto não tinha chão, surgia a seguinte frase:
Então, as substâncias pairantes de que o amor se faz, foram plenamente assumidas.
E foram estas as minhas aventuras na república de Breton. Descobri em mim um problema de visão que me impede de fazer profissão (de fé) surreal.
Os meus sonhos são heréticos, apócrifos, apóstatas.

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