sábado, novembro 18, 2006

No plateau 4

No princípio, foi o Outono.
Jean-Look Spiell Bergman tinha apenas dezasseis anos quando fundou, junto com três amigos de breve data (como são todos os amigos nessas idades), aquilo que se chamava uma Equipa de Garagem (era aí que guardavam o material de rodagem). Para esta banda de quatro, adoptaram o nome de Fake Nostalgia. E começaram logo pela internacionalização.
Os gigs estavam todos concentrados entre Outubro e Dezembro. Nessa época do ano, o nosso Dartagnan e seus Três Cavaleiros do Apocalipse faziam viagens pelo hemisfério Norte para tentarem registar imagens do Outono. Nem é preciso dizer que os iconoclastas queriam fugir a toda a estética de postal ilustrado (por culpa da nostalgia, não eram assim tão falsos). O projecto tinha uma ambição sistemática e duradoura (a ideia era expandir e repetir o ritual até ao fim das diversas vidas). E se eles pretendiam captar imagens ao mesmo tempo inovadoras e contundentes, tinham feito um pacto de sangue em que se comprometiam a nunca montar essas imagens. A Beleza parecia-lhes coisa demasiado frágil para sobreviver fora dos rushes, e a morte seria a melhor das moviolas.
Sexo, drogas e rock'n roll? Não: apenas a música da queda. A cada um o seu mosqueteiro.

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