quinta-feira, novembro 23, 2006

My vagabond shoes 2

Exercício proustiano - Algumas das cidades que eu não conheço, já nelas habito por desejo nostálgico. Os nomes têm força por aquilo que sabem desvendar da fragilidade adquirida na experiência de cada um.
Assim me acontece com Inverness. Em torno do nome desta cidade, gravita a memória da minha presença em Edimburgo, sem dúvida um dos meus dois satélites urbanos (o planeta é o burgo do Porto); esse estranho além-fronteira que é a Natureza da Escócia (a comoção é um reino desunido); a minha estadia em Glenbruach (hotel onírico onde me parece ter estado uma vez alojado). Mas também o apetite pelo Inverno, e o facto do nome da cidade o prolongar (incógnito, pois só é Inverno em português) pelo seu rio (o rio Ness) até uma promessa de beleza. Desaguarei em Inverness como frio estrangeiro.
Anotação - No "Dom Quixote", diz-se que Sevilha é uma cidade onde, ao virar de cada esquina, nos espera uma aventura. Dos meus passeios por Madrid e Barcelona, posso assegurar que em Espanha é mesmo assim (para o mal, e para o bem). Mesmo para um mau viajante como eu. Espero que um dia a cidade me receba como um cavaleiro adagio.

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