segunda-feira, novembro 06, 2006

Jours de fête

Não fui ver nenhum dos filmes que passaram na Festa do Cinema Francês. E isto apesar de ser cine-francófilo (o que quer apenas dizer que amo as obras de Gance, Vigo, Renoir, Bresson, Jacques Becker, Cocteau, Max Ophüls, Tati, Godard, Truffaut, Rivette, Rohmer, Resnais, Varda, Demy, Duras, Garrel, Pialat, etc., e não a ideia genérica de um cinema de irredutíveis gauleses). Atrevo-me a elencar as razões que levaram a tal omissão:
1º - Pura Preguiça (sem comentários)
2º - O cinema francês tornou-se muito menos relevante nos tempos recentes (é claro que há sempre objectos interessantes, mas os novos autores não são propriamente arrebatadores)
3º - Muitos dos filmes previstos para a Festa vão passar, mais tarde ou mais cedo, no circuito comercial (o que faz com que o certame seja um ritual de promoção, e não um mecanismo de oferta alternativa)
4º - A promoção em torno dos filmes baseou-se na ideia de que os espectadores tendem a pensar que o cinema francês é hermético, mas estão errados porque isso JÁ NÃO é assim.
a) Argumento sério - o que, geralmente, se quer dizer com esse chavão é que o cinema francês também está a ficar parecido com o cinema americano; porquê então fazer uma festa de cinema xerox?
b) Argumento ainda mais sério - os filmes verdadeiramente herméticos são raros; o que acontece é que a maioria dos espectadores não tem competências para ler outro tipo de cinema que não seja o que deriva do modelo hollywoodiano; ora essas competências são fáceis de adquirir.
c) Argumento decisivo - se um filme é hermético, quando dele saimos somos uns verdadeiros Houdinis (espectadores com poder de lidar com toda a ilusão).
Quando houver uma Festa de Cinema, lá estarei.

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