terça-feira, novembro 28, 2006

1923-2006

Depois de ter visto a exposição do Álvaro Lapa (que nada tinha de pavão) no Museu da Cidade de Lisboa, a funcionária que convidava à entrada (e guardava a saída) do Pavilhão Negro, disse-me que a gente não conhece os artistas portugueses. Por exemplo, tinha morrido nesse dia um senhor Vasconcelos, de oitenta e tal anos, que ela nem sabia quem era.
Confesso que não percebi a quem pertencia tão aristocrático óbito. Não me lembrava de nenhum artista Vasconcelos relevante em Portugal. Foi só quando regressei ao Porto, à noite, que compreendi quem tinha, afinal, morrido. O Mário sempre foi demasiado Cesariny para ser Vasconcelos.
Enfim, como ando sempre com antenas erguidas, achei que tudo aquilo tinha sido uma parábola onde se demonstrara o que é isso, afinal tão pouco, de não conhecer um artista.
(Tenho fé que o Céu é surrealista)

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